A felicidade dos filhos


A educação actual força-nos a aprender cada vez mais olhando o mundo em volta: ler livros, ouvir professores, acolher os conselhos dos pais, imitar os outros, seguir os líderes. Ao fim de um tempo, as nossas aprendizagens tornam-se num depósito acumulado de coisas que recolhemos no exterior de nós mesmos.

Passamos a vida olhando para fora. Usamos muito os olhos e os ouvidos. A nossa memória está repleta de mensagens que os sentidos captaram. Mas quase nada aprendemos a olhar para nós mesmos, para além do cabelo e da pele que nos cobre e protege o corpo.

Uma lenda indiana diz que Deus escondeu a felicidade no sítio mais inacessível do Universo: não no fim do Mundo, não na montanha mais alta, nem tão pouco nos abismos marinhos. Escondeu-a dentro de nós mesmos. É lá que ela reside desde que nascemos e por isso quanto mais nos concentramos no mundo que nos rodeia menos somos capazes de perceber que o nosso bem-estar, o nosso equilíbrio, a nossa harmonia, enfim, a nossa felicidade está cá dentro, tem de vir de dentro para fora e não no sentido contrário.

Por muito que olhemos ao espelho não a detectamos. Por muito que aprendamos nos livros não a descobrimos ali. E, assim, distraídos numa sociedade que é cada vez mais cheia de imagem e cor, não nos ocorre que as primeiras e mais importantes aprendizagens devem ser acerca de nós próprios. A escola não nos ensina a pensar sobre nós. Não nos ensina a praticar o auto-conhecimento.

Por isso e muito rapidamente começamos a seguir os outros, a imitar os outros. O nosso Eu, em vez de se expandir, fica restringido a um punhado de algumas ideias, por vezes vagas, de quem somos.

Ensinemos pois aos nossos filhos a pensar sobre eles próprios, sobre os seus sentimentos e pensamentos para que possam crescer autoconhecendo-se, expandindo a mente e a inteligência, desenvolvendo um auto-conceito forte e saudável. E, já agora, façamos o mesmo. Talvez descubramos que sabemos ainda muito pouco sobre quem somos, realmente.

A Terra está cheia de idiotas poderosos

Admiro a capacidade inventiva e produtiva da mente humana. Fico fascinado como em qualquer lugar o génio humano gera maravilhas. A arte, a tecnologia, a ciência e tantas outras manifestações do pensamento cobrem o planeta Terra, esta bolinha azul brilhante perdida num cantinho do Universo. Só é pena que muitos seres humanos (e são mesmo muitos!) não tenham capacidade para perceber isso. Há demasiado idiotas. Infelizmente, muitos, conseguem chegar ao Poder e ficar por lá graças à idiotice de muitos outros.

Qual é a sua visão da vida?


A assustadora época de crise económica que vivemos deve obrigar-nos a ter uma visão realista de vida mas ao mesmo tempo positiva, oferecendo o nosso próprio contributo para que o mundo melhore. E esse contributo pessoal pode ser imenso. Nós podemos melhorar a nossa cultura, pensar mais nos outros, ser mais solidários e humildes, cultivar a inteligência, educar bem as nossas crianças, cuidar dos indefesos, ajudar a manter as nossas cidades limpas...Tantas coisas e tão boas nós podemos fazer!
O nosso espaço de manobra e de intervenção é ainda muito amplo. Não nos deixemos sufocar pelos nossos medos ou pelas inibições. Aprendamos a cultivar uma mentalidade aberta, a ter uma visão alargada da vida e do mundo. Devemos entender que não somos apenas cidadãos de uma pequena ou de uma grande cidade. Não importa. Acima de tudo somos cidadãos do mundo, habitantes deste maravilhoso planeta azul e brilhante onde não faltam oportunidades para fazermos uso dos nossos recursos fundamentais: a capacidade de amar, a capacidade de pensar, a capacidade de aprender e a capacidade de julgar!

Estilos de Vida e Felicidade (palestra)

Por convite do Agrupamento Vertical de Escolas de Calendário (V.N.Famalicão), o Instituto da Inteligência realizou uma palestra sobre "Estilos de Vida e Felicidade", a qual teve lugar na Escola EB 2,3 Dr. Nuno Simões, no passado dia 18 de Fevereiro.
Nos últimos anos, a Felicidade tem sido um tema que é cada vez mais objecto de estudo. Agora também a Ciência se envolveu na tarefa de nos explicar que sentimento é esse. Os mais recentes e interessantes livros sobre a matéria provêm de investigadores universitários. A definição de Felicidade varia de pessoa para pessoa e de autor para autor. Para uns é um sentimento de realização, harmonia e integração. Para outros o resultado de conquistas e ambições. Os cientistas, como o biofísico Stefan Klein, defendem que se trata de um sentimento que abrange o bem-estar corporal, psíquico, social e espiritual.
Algumas pessoas agarram-se à esperança de que a inteligência será a nossa derradeira tábua de salvação porque, com ela, saberemos fazer melhores escolhas. Mas será assim? A verdade é que a inteligência não é garantia de Felicidade como não é de Sabedoria, Talento e Sucesso. A inteligência é apenas uma possibilidade em aberto, um recurso pessoal, uma potencialidade feita de emoções, sentimentos, pensamentos, memórias, sonhos, desejos, ambições.
Finalmente, qual é a importância da Educação neste processo? A Felicidade pode ser aprendida? Podemos ensinar às pessoas a Fórmula da Felicidade? Se essa fórmula existe porque não a ensinamos às crianças? Onde estamos a falhar? De que estamos à espera? À palestra assistiram algumas dezenas de professores.

Emoções doentes

Muito raramente se fala ou escreve sobre patologias emocionais, excepção feita aos estados depressivos (de que existem diversos tipos), à ansiedade crónica (geralmente um traço de personalidade), aos alarmantes ataques de pânico e às incapacitantes fobias.Agora gostaria de referir o facto de que alguns problemas mentais serem, efectivamente, patologias de foro afectivo/emocional. Espero com este tópico aguçar o "apetite" para o tema das emoções e, em particular, para o seu Código.

Descrevo sumariamente a seguir algumas perturbações de foro emocional que são já problemas de natureza psiquiátrica.

ALEXITIMIA: as pessoas que sofrem deste problema têm muita dificuldade em discernir sobre as suas próprias emoções e descrever os sentimentos. Pode ser induzida por abuso de drogas, stress pós-traumático, problemas vasculares estando presente no autismo e na esquizofrenia.

ANEDONIA: incapacidade total ou parcial de obter e sentir prazer no dia-a-dia, geralmente associada à APATIA (ver adiante). Presente nos estados depressivos.

APAGAMENTO EMOCIONAL: não há expressão das emoções; a pessoa não transmite qualquer estado emocional visível no rosto, no olhar, na boca (ausência de expressão).

APATIA: geralmente é uma situação decorrente da depressão. O humor está muito diminuído e há falta de interesse, motivação e desejo. Incapacidade de sentir afectos. Certas doenças mentais podem provocar esta situação.

EMBOTAMENTO EMOCIONAL: neste caso significa que a pessoa não sente normalmente as emoções; estas parecem apagadas no que se refere à intensidade e, por isso, quase não se percebe o que ela realmente sente. Aparece na demência, em certas lesões cerebrais e nos doentes psicóticos.

DISFORIA: diferente da ansiedade, a disforia é um estado de humor desagradável e negativo que inclui desconforto emocional e intranquilidade.

EUFORIA: humor de sinal positivo, elevado, contentamento que pode ser extremo. Pode ser uma "alegria patológica", já com carácter preocupante e a necessitar de ajuda psiquiátrica.

HUMOR ANSIOSO: sensação de apreensão, tensão interior, que pode exprimir-se através de palpitações, náuseas, sudação e outras alterações fisiológicas.

HUMOR DEPRIMIDO: equivale a um estado de tristeza e disforia (ver atrás).

NEOTIMIA: problema decorrente de psicose que envolve sentimentos e estados afectivos inteiramente novos, estranhos e até bizarros para o doente.

PUERILIDADE: vida afectiva superficial, nenhum afecto profundo, a pessoa ri ou chora por motivos banais.

RESTRIÇÃO EMOCIONAL: sucede nos casos da pessoa com dificuldade em sentir certas emoções. Pode ser temporário ou indicar alguma perturbação afectiva.

Curso sobre O CÓDIGO DAS EMOÇÕES

Não é mais um curso sobre "inteligência emocional". Não. Este pretende ir mais longe e desvendar alguns aspectos menos divulgados da emocionalidade humana, do seu impacto nos comportamentos, no seu papel no pensamento e na inteligência, nas doenças e na qualidade de vida.
O curso vai centrar-se também no papel que as emoções desempenham na saúde (o seu impacto ora positivo, ora negativo) e na longevidade. Um curso único em Portugal e que em breve vai também ser levado ao Brasil e a Espanha. Peça programa a geral@institutodainteliencia.net.

Hipocondria: medo da morte ou medo da vida?

Ter medo de estar doente é uma reacção normal de qualquer pessoa. A saúde é um bem inestimável e faz parte da fórmula da felicidade. A pessoa saudável tem mais possibilidades de aproveitar todos os seus recursos (inteligência, talento, energia, curiosidade, etc.) para se sentir bem consigo mesma e com o mundo. A doença surge como um entrave, um desconforto e retira energia às pessoas impedindo-as de se sentirem naquele magnífico estado de equilíbrio a que chamamos “bem-estar”.

É por isso que as pessoas hoje se preocupam mais com a saúde. Há uma maior consciência ecológica não apenas em relação ao mundo mas em relação a si mesmas. A consciência ecológica, em meu entender, deve também significar dar mais atenção ao corpo e à mente para que da harmonia resultante o organismo funcione perfeitamente e possamos dar o nosso contributo para um mundo melhor.

Mas existem pessoas que levam ao extremo a sua preocupação com a saúde. Uma simples dor de cabeça provoca-lhes rapidamente um estado de ansiedade intenso pois ficam imaginando que pode ser sintoma de algo grave, talvez um tumor. Uma palpitação – que decorre geralmente de tensão nervosa – é interpretada como podendo ser uma doença cardíaca séria.

A pessoa que reage desta forma exagerada pode ser hipocondríaca, isto é, julga-se doente pois interpreta todas as sensações incómodas do corpo como avisos de que algo está funcionando mal.
Elas entram então num processo obsessivo-compulsivo, numa espiral de ansiedade que as faz correr assiduamente para hospitais e clínicas em busca de explicação para aquilo que temem estar sofrendo.

O problema ficaria resolvido se o doente hipocondríaco não fosse inseguro. Ele sabe que a medicina é falível, que um exame clínico pode estar errado e que os médicos podem equivocar-se. Se seus sintomas, descartada a hipótese de doença efectiva, persistirem, o hipocondríaco continua procurando respostas.

Ele centra geralmente a sua atenção num órgão ou num sistema em particular (frequentemente o cardiovascular ou o digestivo). Então, passa a perceber todas as sensações que aí têm origem. Ele não dá importância ao facto de que nosso organismo não é silencioso nem está inerte; há sempre pequenas sensações que ocorrem porque o organismo está em pleno e normal funcionamento.

O hipocondríaco teme essas sensações, entra em pânico perante uma ligeira náusea ou uma tímida palpitação. Ele as sente de forma ampliada (devido a sua alta concentração no problema) e atribui-lhes um significado clínico, fruto de sua imaginação ou da leitura obsessiva de revistas, livros e busca na internet sobre as sua(s) doença(s) imaginárias.

O que torna uma pessoa hipocondríaca?
Geralmente, o hipocondríaco tem inscrito na sua personalidade um traço de ansiedade generalizada que o torna numa pessoa em permanente estado de alerta.O seu sistema cerebral de vigilância (um mecanismo normal de sobrevivência) está muito activado e por isso vive observando o corpo a todo o momento.

Há hipocondríacos que devem esse traço de personalidade a factores hereditários. Outros a uma infância em que tenham vivido episódios de medo extremo, sofrido alguma doença real prolongada, terem convivido com familiares doentes crónicos ou terem assistido a alguma morte de alguém próximo.

Devido à sua natureza, a sua fixação no corpo e nos processos orgânicos, o hipocondríaco apresenta o seguinte perfil: preocupa-se com a hipótese meramente teórica de estar gravemente doente; interpreta erradamente as sensações e outros sinais de seu corpo; não confia nos exames clínicos e vive em estado depressivo devido à permanência do medo e da preocupação. Facilmente se conclui que sua vida não é fácil.

Na verdade, 4 a 5% dos pacientes na prática médica sofrem de hipocondria. Não é uma doença – prefiro considerá-la uma perturbação de ansiedade - mas, de facto, eles devem ser considerados doentes e como tal tratados para que seus medos deixem de os perturbar. O problema é que o hipocondríaco não é acessível. Ele está sempre a mudar de médico e não aceita apoio psicológico ou psiquiátrico pois considera-se uma pessoa em seu perfeito juízo. Mal ele sabe que o seu problema é mesmo de foro mental e que a psicoterapia poderia ajudá-lo bastante, eventualmente com a ajuda de um breve tratamento anti-depressivo.

Como enfrenta o médico um hipocondríaco?
O hipocondríaco torna-se facilmente numa pessoa aborrecida. Ele revela a sua desconfiança no apoio médico pois a notícia de que não tem doença alguma não o conforta. Ele continua desconfiado. Isto faz com que os médicos, por vezes, se fartem destas pessoas pois colocam em causa os seus conhecimentos e experiência, mesmo que aqueles não os exprimam verbalmente.Alguns médicos preferem evitar os seus doentes hipocondríacos e os tratam de forma ligeira e breve. O que aguça o problema. Outros poderão revelar alguma incapacidade e paciência para os ouvir.

Como estudioso da relação mente/corpo eu me permito sugerir aos médicos que tratem dos hipocondríacos como doentes que necessitam de ser abordados de forma diferenciada. Reparem: a maioria dos doentes com outras enfermidades confia plenamente na medicina e nos seus técnicos e se entregam nas suas mãos. Mas, e os hipocondríacos? Não reagem assim. Eles persistem crendo que estão doentes. Talvez seja útil deixar os hipocondríacos para a última consulta para lhes dar mais tempo. Nada como dar-lhes uma aula de medicina fazendo valer os muitos anos de estudo e prática médica para que o doente serene.

Psicossomática da hipocondria
No livro do médico Rudiger Dahlke, “A doença como símbolo” (ed. Cultrix) este escreve que “o corpo é o palco de acontecimentos desconhecidos da alma” e cita, a propósito, o escritor Peter Altenberg que afirma: “A doença é o grito de uma alma agredida”.

Talvez o hipocondríaco seja precisamente aquele que mais precisa meditar sobre aquelas duas máximas pois seu problema é psico-afectivo e não orgânico. Ele somatiza os seus medos, a sua angustia existencial. Ele quer viver plenamente mas o seu ego se retrai perante desafios cujas coordenadas desconhece. Ele tem dificuldade em se auto-conhecer e experimentar a aventura de viver. Ele recolhe-se em seu casulo. Ele preferiria regressar ao ventre da mãe onde se sentiu, em tempos, protegido. Ele é um assustado animal que se perdeu na floresta e desconhece o caminho do regresso.

E, assim, a hipocondria pode ser definida como uma perturbação de natureza psicossomática onde a mente angustiada exerce tão grande pressão sobre o organismo que as sensações mais inofensivas se transformam em medo. Não tanto o medo da morte mas, pior ainda, o medo da vida!

E onde está a felicidade?

A educação actual força-nos a aprender cada vez mais olhando o mundo em volta: ler livros, ouvir professores, acolher os conselhos dos pais, imitar os outros, seguir os líderes. Ao fim de um tempo, as nossas aprendizagens tornam-se num depósito acumulado de coisas que recolhemos no exterior de nós mesmos. A maioria é apenas lixo e tóxico!

Passamos a vida olhando para fora. Usamos muito os olhos e os ouvidos (80% da informação que nos chega ao cérebro segue estas duas vias). A nossa memória está repleta de mensagens que os sentidos captaram. Mas quase nada aprendemos a olhar para nós mesmos, para além das formas do corpo, do cabelo e do estado da pele que nos cobre.

Uma lenda indiana diz que Deus escondeu a felicidade no sítio mais inacessível do Universo: não no fim do Mundo, não na montanha mais alta, nem tão pouco nos abismos marinhos. Escondeu-a dentro de nós mesmos. É lá que ela reside desde que nascemos e por isso quanto mais nos concentramos no mundo que nos rodeia menos somos capazes de perceber que o nosso bem-estar, o nosso equilíbrio, a nossa harmonia, enfim, a nossa felicidade está cá dentro, tem de vir de dentro para fora e não no sentido contrário.

Por muito que olhemos ao espelho não a detectamos. Por muito que aprendamos nos livros não a descobrimos ali. E, assim, distraídos numa sociedade que é cada vez mais cheia de imagem e cor, não nos ocorre que as primeiras e mais importantes aprendizagens devem ser acerca de nós próprios. A escola não nos ensina a pensar sobre nós. Não nos ensina a praticar o auto-conhecimento.

Por isso e muito rapidamente começamos a seguir os outros, a imitar os outros. O nosso Eu, em vez de se expandir, fica restringido a um punhado de algumas ideias, por vezes vagas, de quem somos.

Ensinemos pois aos nossos filhos a pensar sobre eles próprios, sobre os seus sentimentos e pensamentos para que possam crescer autoconhecendo-se, expandindo a mente e a inteligência, desenvolvendo um auto-conceito forte e saudável. E, já agora, façamos o mesmo. Talvez descubramos que sabemos ainda muito pouco sobre quem somos, realmente.

Espiritualidade

Num mundo caótico e complicado demais para o entendermos e aceitarmos com benevolência, a espiritualidade é aquela dimensão que marca a diferença entre a brutalidade e a verdadeira inteligência. Fruto do desenvolvimento da auto-consciência, a espiritualidade é o caminho para um mundo melhor e menos selvagem.
Acreditam os cientistas que são precisos 20 mil anos para que se registem alterações no ADN da Humanidade. Será que precisaremos de tanto tempo para nos tornarmos menos grosseiros, menos primitivos e menos toscos (sem ofensa) do que os nossos ancestrais que inventaram a agricultura há uns 10 mil anos?

A inteligência natural


A inteligência não é garantia de Sabedoria, Felicidade, Competência, Discernimento e Talento. A inteligência é uma possibilidade em aberto, um recurso pessoal, uma potencialidade feita de emoções, sentimentos, pensamentos, memórias, sonhos, desejos, ambições. A inteligência tem de ser cultivada.
Assim, o que me fascina e atrai são as personalidades inteligentes! Como ditou o sábio indiano Osho "uma pessoa inteligente está perfeitamente satisfeita com o possível. Ela trabalha para o provável; nunca trabalha para o impossível nem para o improvável, não. Ela olha para a vida e para as suas limitações". Sabe reconhecer e ampliar os seus recursos, as suas possibilidades. E sabe utilizá-los com justiça, honestidade e equilíbrio.

Espiritualidade


Num mundo cada vez mais accionado pelos interesses materiais e económicos é importante não esquecermos a natureza humana e espiritual de que também somos feitos. Todos somos um EU, uma pessoa completa e diferente de qualquer outra. Todos temos um cérebro, tantas vezes demasiado racional e objectivo, que contem igualmente células carregadas de energia espiritual e não apenas psíquica.

É essa natureza espiritual e humana que devemos cultivar, partilhar e difundir.Espiritualidade que não é sinónimo de religiosidade. Eu, por exemplo, sendo um ser também espiritual não sou, todavia, religioso. Na verdade, confesso, as religiões nem sempre são boas conselheiras pois muitas vezes cometem tremendas injustiças, são dominadoras, manipuladoras da mente e das emoções, conduzindo ao fanatismo, à fé cega e desprovida de sentido crítico.

A espiritualidade tem mais a ver com o mundo dos sentimentos, das profundidades do nosso ser, com a intimidade humana da alma. Se acreditamos num Deus ou não isso para mim não é importante pois, como disse, a espiritualidade não obriga a que sejamos seguidores de uma religião ou de um credo.
Ser espiritual é colocar ao nível da inteligência do nosso quotidiano atitudes, comportamentos e práticas dotadas de valores, princípios e normas que reforcem o nosso carácter e a capacidade de tomarmo decisões justas e honestas. Ser espiritual é, na verdade, ser inteligentemente humano.

Finalmente, agora que todos os dias e a todas as horas nos anunciam um ano 2009 muito problemático, é importante que os decisores políticos e os detentores do capital levem em conta que não somos apenas consumidores, pagadores de impostos, gente anónima e sem poder algum nas mudanças que transformam o mundo. Cada pessoa encerra em si um capital intelectual, emocional e espiritual que não pode ser ignorado nem desprezado por ninguém, muito menos pelos senhores do mundo.

Cultivemos pois a nossa inteligência não apenas através da valorização do nosso conhecimento mas também através da harmonia e da paz que têm como fonte de inspiração a nossa espiritualidade. E saibamos ser saudavelmente críticos e auto-críticos para gozarmos a plenitude dos nossos recursos e talentos. Por isso, usemos também o direito à indignação e ao protesto. Sem medos, nem inibições.

As fronteiras da mente...

Ao contrário do que geralmente está convencionado, a mente não está apenas alojada na cabeça. Ela resulta do trabalho do sistema nervoso mas distribui-se por todo o organismo a cada instante. Por exemlo, já todos percebemos como uma emoção forte acelera o coração ou como ficamos "gelados" com uma notícia aterradora. Mas, subtilmente, mesmo o estado do nosso humor e do nosso ânimo, afectam todo o corpo, ainda que disso não tenhamos consciência. Quantas indisposições "físicas", quantas doenças e perturbações não têm origem no nosso mundo psíquico, por vezes nas memórias emocionais, sem que disso tenhamos consciência.

Infelizmente, os médicos, de uma maneira geral, tratam os problemas psicossomáticos com alguma indiferença, até mesmo com algum desprezo. E, não obstante, o tema é científico e não esotérico. Faria muito bem a muitos médicos perceberem um pouco mais da psicologia humana e tratarem dos doentes mais do que das doenças propriamente ditas. O assunto é sério, ultrapassa o entendimento de alguns curiosos e aventureiros que debutam no campo das medicinas alternativas e seus anexos, exige especialização e, por isso, aqui fica o meu alerta.

Tenha em conta que todas as enfermidades têm algum tipo de ligação íntima com a psique e o estado de espírito; variam de aspecto, frequência, predisposição e gravidade em função da personalidade (a pessoa no seu todo) e dos padrões de comportamento e, finalmente, devem ser objectivamente estudadas e acompanhadas por quem sabe.

A influência da mente (das disposições, dos pensamentos, das emoções, etc) sobre o corpo (incluindo o próprio cérebro) é muito grande (estima-se que 80% das doenças actualmente conhecidas são "alimentadas", quando não provocadas, pelos estados de espírito). Mais do que o tão badalado "pensamento positivo" (uma já estafada crença nem sempre fácil de cumprir) necessitamos é de melhorar o nosso auto-conhecimento, o nosso equilíbrio emocional e sentimental, a nossa auto-estima e a nossa capacidade de tomarmos decisões e assumir escolhas.

Com isso iremos melhorar o nosso sistema imunitário, isto é, as defesas que o corpo gera de forma natural. Ficaremos então menos vezes doentes e a cura será mais rápida. E, assim, a longevidade pode então ser uma conquista da inteligência mais do que dos genes, dos factores ambientais e da sorte. Porque ser inteligente é saber fazer opções. Mesmo na saúde.

Medo de envelhecer?


Um número considerável de factores que aceleram o nosso envelhecimento é resultante das nossas próprias escolhas. Isto deve fazer-nos reflectir.

Sabemos que o envelhecer é sobretudo um processo de entropia, ou seja, de deterioração provocada por agentes externos, frequentemente tóxicos e que, sob a forma de radicais livres, atacam o organismo (desde a pele aos mais pequeninos dos nossos órgãos). Não damos habitualmente muita importância a estes aspectos e confiamos muito mais no factor sorte. Geralmente, fazemo-lo com desculpas do género "Ah, fulano não fumava e todavia morreu de cancro do pulmão" ou coisas do género "Os médicos também envelhecem e morrem".
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É verdade. Mas há muita coisa que falta acrescentar. Por exemplo, que todas as pessoas envelhecem de forma e em ritmo diferentes devido a um sem número de factores (genéticos, hereditários, ambientais, etc.). E, mesmo quando se analisa uma pessoa, verifica-se que cada parte do corpo envelhece a um ritmo diferente. É possível, por exemplo, que o estômago esteja mais envelhecido que os pulmões e, por isso, possa arrastar a pessoa para problemas digestivos que dão origem a um envelhecimento mais rápido a nível geral. E, mais ainda, a sua morte poderá começar no estômago.

Voltemos ao início. Se muito do nosso envelhecimento resulta das escolhas que fazemos, então o que é que está envolvido? Pois, a educação, os hábitos, os comportamentos, etc. Ou seja, tudo isso está na psique do indivíduo, na sua mente.

Conhecemos pessoas que, apesar de obesas, continuam a manter hábitos alimentares destrutivos, insistindo em comer verdadeiras porcarias que não apenas engordam como contêm muito material tóxico. Essa pessoa até pode durar muito tempo mas a sua aparência não é saudável (longe vai o tempo em que a gordura era formosura) e terá muitas mais probabilidades de ser vítima de problemas cardiovasculares e envelhecer mais rapidamente.

O famoso médico Deepak Chopra diz que "o grande inimigo da renovação é o hábito". Esta renovação de que ele fala é a do corpo pois este não é um objecto acabado mas um processo em contínua mudança. Ora desde que esse processo seja orientado no sentido da renovação as nossas células podem manter-se jovens "não importa quanto tempo passe ou a quanta entropia estamos expostos".

O envelhecimento e a morte também não são só acelerados por aquilo que comemos mas também por outros hábitos de vida que provocam acidentes, deterioram o corpo e provocam doenças. Por exemplo, dizem as prostitutas que muitos homens que as procuram pagam-lhes mais para poderem ter relações sem preservativo. Que é isto senão jogar à roleta russa? É óbvio que, quem vive assim, deposita toda a sua esperança no factor sorte. Ora devemos reduzir ao mínimo a crença de que a sorte é a única determinante na saúde e na longevidade.

As descobertas científicas vão todas no sentido de que a nossa saúde e a nossa longevidade dependem de muitos factores que podemos controlar e, assim, podemos envelhecer mais devagar e com saúde até aos nossos últimos dias. Para que tal sejamos capazes de atingir necessitamos de adoptar uma nova visão do envelhecimento, compreender o papel da psique e da consciência e enveredar por um estilo e um programa de vida onde a renovação (saudável e positiva) seja uma constante.

A vida é uma viagem que não deve ser realizada a sós

Há quem goste de viajar sozinho. Tudo bem. Nada tenho contra isso se bem que seja preferível irmos acompanhados, até por uma questão de segurança. Sobretudo se a viagem contiver algum tipo de risco, como subir a uma montanha, atravessar um lugar desértico, algum caminho inóspito.
Gosto de comparar a vida a uma viagem. Logo, como qualquer viagem, defendo que devemos ter a companhia de alguém. Os membros da família (os pais, a esposa, o marido, os filhos, os irmãos), os amigos e muitas outras pessoas também seguem, cada um, a sua viagem. Umas mais curtas, outras mais longas. Umas vezes mais tranquilas, outras mais tumultuosas e acidentadas.
Mas é juntos, em conjunto, que as pessoas podem apreciar melhor a vida. Ela torna-se mais colorida, alegre, confortável, até consegue ser magnífica se soubermos cultivar as relações. Podemos crescer uns com os outros e desenvolver as nossas virtudes. Com as pessoas que gostamos e com aquelas que amamos então a vida pode ser uma benção.

Contradições humanas


A Humanidade é uma realidade complexa. Nem sei mesmo como tem sobrevivido ao longo dos tempos. Por exemplo, enquanto que, neste mesmo instante, existem milhares de pessoas envolvidas na conquista do futuro e alargando as fronteiras do Conhecimento, outras, muitas mais, ainda lutam e morrem, como há 10 mil ou 50 mil anos pela conquista de algumas faixas de territórios inóspitos e inviáveis onde nada mais cresce do que ódio e desumanidade.

A ansiedade que perturba o nosso mundo...


Vivemos numa época difícil da Humanidade. Mais do que em qualquer outro tempo da história humana, este momento que atravessamos é particularmente inquietante. Na verdade, estamos bem no centro de uma encruzilhada onde ideias, convicções, modelos e certezas do passado se misturam com novos elementos, conceitos e valores de uma sociedade em acelerada transformação. Muitas pessoas ainda não se aperceberam como o mundo se modificou nos últimos 10 ou 15 anos e como isso começou a afectar as suas vidas. Outras, desorientadas, não descortinando as novas referências por que devem reger-se, vivem angustiadas, com uma sensação de perigo entranhada na alma.

Findou uma época. A nova é carregada de complexidades, incertezas, imprevisibilidades, rápida mudança e ambiguidades. O seu anúncio já se fazia ecoar desde os anos 60 em obras como "O choque do futuro" de Alvin Toffler e mais tarde em "A conspiração aquariana" de M. Ferguson. Fez-se anunciar também através do eclodir de movimentos e escolas como a New Age (Nova Era).

Habitamos um planeta onde coexistem duas realidades: o do materialismo tecnicista, fruto da idade fabril e tecnológica e o do novo espiritualismo que faz apelo à reconversão dos valores da serenidade e da sabedoria. Do choque de ideologias e crenças resulta uma sociedade compreensivelmente conturbada e confusa.

Basta abrir um jornal diário para percebermos como está o mundo que nós próprios criámos ou aceitámos que fosse criado (pelos detentores do poder e das grandes escolhas que afectam a sociedade). Desemprego galopante, inquietações políticas, discursos inflamados mas vazios de ideias, ódios desmedidos, consumismo idiota e sem nexo, a procura atabalhoada pelo sucesso rápido, o deslumbramento dos novos ricos (jogadores de futebol, vedetas do mundo do espectáculo, etc), a desorientação visível e a ingenuidade assustadora de muitos adolescentes e crianças.

Os empregos tornaram-se precários e sê-lo-ão cada vez mais. As empresas já não oferecem garantias de emprego para sempre. As reformas já não podem ser uma interrupção, o fim de uma época da nossa vida. Os bons empregos já não são os de antigamente. Há novas profissões a germinar por esse mundo fora. A sociedade é outra. Não é pior que muitas outras do que os nossos antepassados viveram.

Não podemos permitir-nos viver como se tudo estivesse como antes quando hoje tudo de desenrola e transforma muito rapidamente. Vivemos a sociedade da informação e isto não é apenas um nome bonito para uso dos economistas e dos políticos. Não. Hoje vivemos no meio da profusão de meios de comunicação que nos permitem uma vida diferente, mais ousada, mais diversa, mais interessante, mais útil. Nós temos é também de MUDAR. Mudar a nível pessoal.
Temos então de nos informar mais, ler mais, tentar compreender as novas regras da sociedade, manter-nos como cidadãos do mundo e não apenas como pessoas cujo horizonte finda na nossa rua ou nos limites da nossa cidade. De outra forma ficaremos mais e mais obsoletos sendo ultrapassados muito rapidamente pelos mais novos, pelos nossos próprios filhos.

Vivemos numa sociedade difícil mas também plena de oportunidades e possibilidades de realização. Temos, porém, de compreender como funciona e de nos mantermos activos e envolvidos sem medo de nós próprios nos assumirmos como agentes de mudança! E então a ansiedade desaparece...

A inteligência do coração

Diz o sábio indiano Osho que a inteligência da cabeça não inteligência nenhuma, é conhecimento. Ele entende que a inteligência do coração é a única inteligência que existe. A inteligência do coração cria poesia na vida das pessoas, dá dança aos nossos passos, faz da nossa vida uma alegria, uma celebração, um festividade. Torna-nos capazes de amar, de partilhar. E essa é a verdadeira vida!

Até à exaustão!

Os seus filhos dormem o suficiente? Eles andam sobrecarregados de trabalhos escolares? Já lhes ensinou a gerirem o tempo, os compromissos e os momentos de descanso e lazer? O cansaço e o stress podem levar ao esgotamento, à fragilização do sistema imunitário e à doença. Intervenha antes que o ano escolar avance mais.
Na minha vida profissional tenho observado que há um número crescente de crianças e jovens que andam perto do esgotamento e com uma grande desmotivação.

A sua vida é uma rotina?

A rotina também provoca nervosismo e stress!

A maioria das pessoas estão hoje muito centradas num circulo vicioso casa > emprego > compras > televisão > internet > dormir > e por aí adiante. A nossa mais fácil desculpa é que a vida não permite alternativa! Em parte estou de acordo mas aceitamos por vezes a rotina porque ela é confortável. Com a rotina economizamos energia física e mental. Mas há um preço a pagar e pode ser bem elevado!

Todos os estudos científicos garantem que a rotina torna o cérebro preguiçoso, deixa de criar novas ligações (dendrites) entre os neurónios e envelhece mais depressa. Se a sua vida é uma rotina tente dar a volta ao sistema. Pelo menos uma vez por semana faça algo diferente, jante fora, dê um passeio (mesmo que seja a pé), uma ida ao teatro ou ao cinema (pode fazer uma agenda de saídas diferentes todas as semanas de maneira que não vai pesar no orçamento).

Eu hoje, aproveitando o sol, aproveitei a hora do almoço para ir até à praia. Revigora o sistema cardiovascular e muitos outros campos da saúde.
15 de Outubro de 2008

Segredos simples do saber viver!

Num mundo cada vez mais complexo, aprendamos a cultivar uma mentalidade aberta, a ter uma visão alargada da vida e do mundo.
Devemos entender que não somos apenas cidadãos de uma pequena ou de uma grande cidade. Não importa. Acima de tudo somos cidadãos do mundo, habitantes deste maravilhoso planeta azul e brilhante onde não faltam oportunidades para fazermos uso dos nossos recursos fundamentais:

a capacidade de amar,
a capacidade de pensar,
a capacidade de aprender e
a capacidade de julgar!
Vale a pena amar? O amor exige tempo? As pessoas amam de forma diferente umas das outras? Como é que a infância influencia a forma como as pessoas amam? Se gosta deste tema procure mais em baixo um texto meu com base na entrevista que dei à revista COSMOPOLITAN.
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Talvez por nos termos afastado da natureza inicialmente simples da felicidade ela hoje parece ser mais difícil de alcançar. A culpa parece residir em nós. O verbo TER passou a ser mais importante que o SER. E esquecemo-nos que, segundo reza uma lenda indiana, a felicidade está alojada dentro de nós. Entretanto, andamos à procura dela cá fora: nos outros e nas muitas coisas que o mundo moderno tem para nos oferecer mas a que nem sempre temos acesso.

Então o que é a felicidade?


Os psicólogos também estudam a felicidade e, em última instância, o seu papel é ajudar as pessoas a sentirem-se bem consigo mesmas que é, afinal, uma das formas, mesmo a primeira, de se ser feliz.
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A felicidade é um conceito que evoluiu ao longo dos tempos. Provavelmente, para os homens primitivos, a felicidade resumia-se a sentirem-se bem, estarem protegidos dos animais selvagens e terem saúde e comida. As doenças eram muitas e vivia-se poucos anos. A maioria das crianças morria nos primeiros meses de vida. A felicidade, tal como a concebemos hoje, era desconhecida, mesmo impensável.
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No tempo dos Gregos antigos a ideia de felicidade já era mais completa: "ter corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada". Demócrito dizia que ela "era a medida do prazer e a proporção da vida" que era, afinal, manter-se afastado dos defeitos e dos excessos.
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Platão entendia que a felicidade tinha mais a ver com a virtude do que com os prazeres mundanos: "os felizes são felizes por possuirem a justiça e a temperança; os infelizes são infelizes por possuirem a maldade" - escreveu o filósofo. E que virtude era essa? A capacidade da alma para dirigir o homem da melhor maneira!
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Com o avançar dos tempos, a felicidade voltou a estar relacionada com o prazer. Os filósofos Locke e Leibniz estavam, nesse aspecto, de acordo: "o grau ínfimo daquilo que pode ser chamado de felicidade é estar tão livre de sofrimentos e ter tanto prazer presente que não é possível contentar-se com menos" (Locke). Assim, a felicidade era o maior prazer de que somos capazes e a infelicidade o maior sofrimento!
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Actualmente são os psicólogos quem mais se envolve na missão de estudar e ajudar as pessoas a aprenderem a ser felizes. Com o consumismo exacerbado, a felicidade passou a incluir o prazer de ter coisas, muitas coisas, desde objectos a ambições e riqueza material.
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Talvez por nos termos afastado da natureza inicialmente simples da felicidade ela hoje parece ser mais difícil de alcançar. A culpa parece residir em nós. O verbo TER passou a ser mais importante que o SER. E esquecemo-nos que, segundo reza uma lenda indiana, a felicidade está alojada dentro de nós. Entretanto, andamos à procura dela cá fora: nos outros e nas muitas coisas que o mundo moderno tem para nos oferecer mas a que nem sempre temos acesso.

Qual é o futuro do amor?


Há dias (7 de Outubro), a jornalista Luisa Machado, da revista COSMOPOLITAN, fez-me uma entrevista sobre o Amor e o Amar (curiosamente, na mesma semana, a LUX WOMAN entrevistou-me sobre o que é o Sorriso, um tema que também está associado ao Amor).

Na minha vida, o amor foi sempre um tema presente por boas e por más razões. Julgo que, neste capítulo, não sou diferente dos outros humanos. Fui feliz e infeliz, também. É que, como todos sabemos, o amor pode ser gerador de sentimentos menos bons. Um amor não correspondido, por exemplo, dá origem a decepção e sofrimento. Isto não é novo. Sempre foi assim em todos os tempos.

O problema actual é outro. Os humanos parecem estar a perder a capacidade de amar! Ou melhor, são capazes de amar mas dedicam-se menos ao amor. Tenho reparado que as pessoas, hoje em dia, amam cada vez mais à distância....por telemóvel, por internet e em silêncio. Na verdade, correspondem-se uns com os outros, avidamente, teclando. Mas vão perdendo o sentido das prioridades. Muitas pessoas comunicam por necessidade de comunicar, mais para se fazerem ouvir (ou ler) do que para ouvirem e lerem os outros. No amor parece estar a acontecer o mesmo. Nas famílias actuais as pessoas estão mais tempo a ver televisão, a teclar no computador ou a tagalerar ao telefone. Para além de que passam mais tempo com os colegas de trabalho do que com os filhos ou com o seu (sua) companheiro(a). O cenário é, neste capítulo, decepcionante. Não é por acaso que as famílias estão a desestruturar-se, aumentam os divórcios e vive cada um para o seu mundo.

O que é o amor?

O amor é um sentimento multifocal. É, segundo a psicologia, uma confluência de paixão, intimidade e união. Está ligado a numerosas emoções e influencia os comportamentos. O amor, ele próprio, combina-se com sentimentos de fundo como a excitação, o bem-estar, o entusiasmo e a harmonia.

O amor influencia também o estado do nosso Eu (nas suas dimensões espiritual, psíquica e física) e pode contribuir para o enriquecimento da auto-estima. O que quer dizer que, na ausência do sentimento do amor, ou na sua falta de correspondência, o nosso psiquismo pode falhar, sofrer rupturas e provocar sentimentos de frustação, desânimo, tristeza e depressão.

O ser humano está predisposto geneticamente para amar e ser amado porque é um animal profundamente social, envolvido em múltiplas redes de relações (familiares, comunitárias, laborais, etc.). Os sentimentos têm servido ao Homem para o influenciar na sua percepção de si e do mundo e levá-lo a agir no e sobre o mundo. O amor, em particular, é um estimulante poderoso (motivador) da acção. Já a falta de amor conduz à inacção.
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O desenvolvimento da capacidade de amar depende de factores históricos, culturais e familiares. O amor, hoje, é diferente de épocas passadas. Por exemplo, no período do Romantismo (final do século XVIII e grande parte do século XIX) o amor estava associado à paixão - um sentimento intenso, contemplativo e subversivo. Ele era sentido como emancipador mesmo que trágico como na história de Romeu e Julieta.

Actualmente, o amor é mais dominado pela racionalidade. O amor já não provoca escravidão como antes da época do Romantismo. O sofrimento é mais limitado nas suas consequências e não amar para toda a vida já não constitui um drama para a maioria das pessoas. O amor romântico, por exemplo, ainda que procurado por muitas pessoas, não passa actualmente de um mito. "A paixão de hoje é mercadoria de consumo. Não mais a ver com o destino, com os riscos, com o enfrentamento" - escreveu Renato Ribeiro, professor titular de Ética e Filosofia Política.

As transformações sociais modificaram um pouco a forma como o amor é percebido, sentido e gerido. O modo de amar depende muito das aprendizagens sociais nos primeiros anos de vida. Num mundo em que aumentam os divórcios entre casais os filhos ficam menos preparados para relacionamentos amorosos duradouros.

Por outro lado, actualmente, ensina-se mais sobre as relações sexuais do que sobre as relações amorosas. Os jovens sabem mais sobre sexo do que sobre amor. E isto influencia o seu comportamento no mundo. É de prever que no futuro os divórcios tendam a aumentar e a própria instituição do casamento, tal como a conhecemos hoje, desapareça.

Como é que o ser humano ama?

Data dos anos 70 o primeiro estudo sobre os diferentes estilos de amor. As conclusões do sociólogo John Alan Lee ainda hoje são consideradas válidas. Homens e mulheres podem amar-se de forma diferente e não complementar. As pesquisas mostram que os relacionamentos amorosos entre eles assentam em estilos diferentes e que essa não complementaridade pode explicar o fracasso de muitas ligações sentimentais. A falta de recompensa mútua devido às diferenças de estilo pode pôr em risco uma relação, criando conflitos frequentes e, finalmente, rupturas.

A forma como uma pessoa ama o seu parceiro depende de muitos factores: personalidade, auto-conceito, cultura, educação, etc. Dessa confluência de factores resulta que cada pessoa tem um estilo preferencial de amar. Alguns são compatíveis com o estilo do parceiro. Outros não. O sucesso da relação vai depender de como os dois amantes forem capazes de superar as lacunas e as diferenças. O egoismo pode ser, porém, um factor impeditivo de uma relação bem sucedida se ambos não abdicarem das suas exigências e posturas. O amor bem sucedido depende também da humildade e da franqueza. Conversar sobre as diferenças e as expectativas de cada um em relação ao outro pode facilitar o sentimento.

Os estilos de amar

Geralmente, as pessoas apresentam uma combinação de dois ou três estilos de amor. Observa-se, porém, que há um estilo que tende a predominar nas relação que estabelece com o parceiro.

O estilo romântico - é o mais cantado pelos poetas e actualmente é muito mais feminino do que masculino. Envolve paixão, unidade, atracção sexual. A pessoa que é capaz do amor romântico celebriza cada momento vivido com o parceiro, faz desse sentimento um objectivo de vida. O amor romântico, quando correspondido por uma pessoa do mesmo estilo, é fortalecido pelas dificuldades que o casal tenha de viver para levar a sua relação por diante. A vida familiar e profissional do amante romântico é fortemente influenciada por um comportamento que traduz contentamento e felicidade permanente. Aparece na adolescência e ainda provoca casos de perdição. O fracasso de um amor romântico ainda pode levar ao suicídio.

O estilo possessivo - é destabilizador sendo determinado pelo ciúme. Desencadeia emoções extremas e comportamentos obsessivo-compulsivos. É um amor que alterna entre momentos de prazer e momentos de sofrimento. O medo da perda é, por vezes, dramático e empurra a pessoa para situações doentias (perseguir o parceiro, vasculhar-lhe a roupa e a correspondência, desconfiar de tudo aquilo que, na sua imaginação, possa pôr em causa a relação. Exige do outro constante atenção. A vida familiar e profissional pode ficar profundamente prejudicada quando ocorrem momentos de crise (que são frequentes no possessivo).

O estilo cooperativo - nasce geralmente de uma amizade anterior e antiga. Sobrevive graças à confluência de hábitos e interesses comuns. No centro deste estilo de amar conjugam-se a confiança e a segurança. Está presente especialmente nas pessoas extrovertidas, sociáveis, com uma grande rede de amigos e pessoas próximas. O sentimento de amor cooperativo não nasce de paixões intempestivas mas aparece discretamente a partir de uma relação mais íntima e cúmplice com um amigo, por vezes dos tempos de infância.

O estilo pragmático - surge principalmente nas pessoas práticas, disciplinadas e disciplinadoras, com uma educação, por vezes, austera. A inteligência e a razão moldam esta forma de amar de forma que a relação amorosa seja vantajosa, até mesmo em termos materiais. Geralmente a pessoa estabelece relações sentimentais em função dos seus projectos de vida pelo que apenas escolhe o parceiro em função dos seus interesses centrais. A pessoa minimiza ou reprime o sentimento de amor não sendo dada a manifestações de carinho expressivas.

O estilo lúdico - é baseado na conquista e na busca de emoções passageiras. A pessoa não se dedica inteiramente ao parceiro, diverte-se com muitas outras coisas e até consegue relacionar-se amorosamente com outros parceiros em simultâneo. O sexo constitui um aspecto central do amor lúdico. As relações, além de passageiras, são superficiais e não tem em linha de conta o envolvimento do outro, já que ele pode fazê-lo sentir-se seu prisioneiro. Não mantem uma relação sistemática e evita o casamento ou a vida em comum. É um estilo muito frequente em jovens adultos, em especial homens.

O estilo altruista - a pessoa que segue o estilo altruista dispõe-se a anular-se perante o outro. O outro é o centro de tudo. Está pronta a subjugar-se aos desejos e vontades do parceiro. Tem baixa auto-estima, é frágil, serve-se do outro para se sentir protegida. Está disposta a tudo para não perder o parceiro, sacrificando os seus projectos de vida, os seus sonhos e até a sua imagem exterior. Veste-se ao sabor dos gostos do parceiro, faz tudo o que ele quer. Tende a isolar-se num mundo onde, na sua imaginação, só cabem os dois ainda que o outro pense e actue exactamente ao contrário.

Em que idade começamos a amar?

O sentimento de amor aparece muito cedo na vida. Ele é favorecido por um ambiente familiar que seja sadio, equilibrado e afectuoso. A criança aprende que o amor é um sentimento positivo e compensador. Uma personalidade equilibrada e forte ajudará a relações sadias com o sexo oposto. A forma como irá amar alguém no futuro dependerá muito das aprendizagens sociais que fará nesta época da vida.

Por volta dos 12 anos de idade, os jovens começam a sentir forte atracção de amizade e companheirismo entre si. Os laços de afecto estreitam-se nos grupos de amigos porque garantem protecção. As relações amorosas, porém, são espontâneas e fugidias.

Entre os 14 e os 16 anos, já na fase de "status", os jovens procuram uma integração plena no seu grupo de referência. Seguem as modas e o interesse pelo próprio aspecto físico. Desde que tal lhes seja permitido, os jovens preferem conviver mais de metade do tempo com os amigos. Surgem os primeiros sentimentos amorosos com o sexo oposto.

A fase seguinte, chamada de "afeição", vai até aos 18 anos de idade e a figura do parceiro surge de forma clara. Nascem os primeiros relacionamentos amorosos. As jovens sonham com o amor romântico; os rapazes podem deixar-se tentar pelo amor lúdico, preferindo relações superficiais e diversas. O tempo com os amigos diminui e nascem as primeiras relações sentimentais de casal.

A partir dos 18 anos - a fase chamada de "vínculo" - o estilo de relação sentimental altera-se. O vínculo aumenta nos casais enamorados. Ao mesmo tempo surge uma visão mais pragmática do envolvimento sentimental, em que ambos avaliam a consistência da relação e reflectem sobre se o parceiro é o que melhor serve para uma convivência mais longa e para constituir família.

Finalmente, o estilo de amar de cada um será também, em parte, influenciado pela forma como o outro actua dentro da relação. Por mim, não há nada como o amor apaixonado! Confesso que continuo a ser um romântico.
14 de Outubro 2008

Saiba distinguir um sorriso falso!


O sorriso é uma manifestação tipicamente humana envolvendo uma das expressões faciais que mais frequentemente observamos nas pessoas.

Sendo uma representação física de um estado mental (uma emoção, um sentimento), ele funciona como um artefacto que está presente na comunicação humana. Na convivência social, o sorriso alivia tensões, facilita as relações, gera confiança. Por isso mesmo, uma pessoa naturalmente sorridente torna-se, aos olhos dos outros, numa pessoa simpática, atraente e cativante.

O sorriso é provocado de forma espontânea por estados emocionais geralmente associados ao prazer, à gratidão ou à surpresa agradável. Ele exprime-se através de uma série de músculos faciais cujo controlo é gerado automaticamente pelo sistema límbico, área do cérebro responsável pelas emoções. Isto significa algo muito interessante: todo o sorriso genuíno escapa a qualquer controlo consciente e por causa disso é muito difícil de evitar e também de inventar.

Não obstante, o sorriso é muitas vezes utilizado para ludibriar os outros. Há quem, com grande treino, consiga exibir sorrisos com alguma expressividade como acontece no teatro e no cinema. Na vida social, nos negócios e na política, os falsos sorrisos são também um recurso frequente para a obtenção de um clima simpático, gerador de confiança. Por exemplo, os vendedores aprendem a sorrir com alguma convicção para obterem uma atmosfera que dilua dúvidas nos potenciais compradores. O sorriso é pois uma ferramenta auxiliar da persuasão. Infelizmente, os falsos sorrisos, que escapem à atenção da vítima, podem ter consequências desastrosas quando são usados para enganar e obter vantagens menos lícitas junto de alguém.

Qual é a diferença decisiva?Acontece, porém, que um falso sorriso é muito diferente de um sorriso genuínio, o que nos permite detectá-lo e assim preparar-nos para nos protegermos.

Vejamos os mecanismos do sorriso: aquele que é verdadeiro exprime-se através de dois grupos de músculos faciais: o chamado zigomático maior e o "orbicularis oculi". O primeiro altera a boca; o segundo afecta o aspecto dos olhos. Ora bem, quando uma pessoa finge que está a sorrir apenas consegue controlar os músculos da boca. Não os dos olhos.

É que a expressão do sorriso nos olhos é controlado automaticamente pelo sistema límbico e fica inacessível a qualquer manipulação. Assim, não havendo uma genuína emoção que dê origem a um sorriso verdadeiro, os olhos ficam inexpresssivos ou então adquirem um aspecto estranho, não correspondente à emoção que se pretenda transmitir.

Quando alguém sorrir para si, não se deixe cativar apenas pela impressão geral. Se tiver dúvidas da sinceridade do interlocutor fixe a sua atenção nos olhos da pessoa e certifique-se que eles também "sorriem", isto é, se a expressão em torno deles se modificou de forma correspondente à da boca ou se, pelo contrário, se mantiveram inalterados ou com um aspecto desajustado do sorriso que a boca exibe.

A guerra dos sexos (no trabalho e não só)


Um tema que nos últimos anos tem merecido a curiosidade da ciência é a presumível diferença entre as capacidades funcionais do cérebro do homem e da mulher. Existem diferenças? Se sim, quais as mais salientes? O tema não deixa de ser potencialmente polémico!
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A verdade é que a nível anatómico o cérebro do homem e da mulher são muito semelhantes. Poderão haver mais diferenças entre duas pessoas do mesmo sexo do que as devidas à natureza do sexo. Também não é menos verdadeiro que o cérebro dos homens e o das mulheres apresentam, de fato, algumas pequenas diferenças anatómicas, morfológicas e funcionais que explicam as formas de perceber, tratar a informação, memorizar e agir entre os dois sexos.
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Essas diferenças observam-se desde muito cedo, esbatem-se um pouco a partir da adolescência e, de resto, mantêm-se até ao fim da vida. Mas até que ponto a influência do meio é determinante? Nada está ainda definido mas a recente descoberta das mulheres SARAHS (falarei deste tema brevemente) permite deduzir que, com ou sem o auxílio da genética, o sexo feminino pode vir a surpreender os homens.
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Vejamos, por agora, e de acordo com vários estudos, as principais distinções que se podem observar a nível do funcionamento cerebral e mental.
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HOMENS >> São geralmente melhores do que as mulheres nas seguintes actividades e domínios: raciocínio matemático - visualização tridimensional - inteligência visuo/espacial - actividades físicas prolongadas - visão de detalhes- rapidez de dedução- pensamento abstracto e filosófico - memória espacial - empreendedorismo.
MULHERES >> São geralmente melhores do que os homens em: operações de cálculo - fluência e habilidades verbais - concentração (por exemplo, são menos sujeitas a perturbações de hiperactividade com défice de atenção e a perturbações de impulsividade do que os homens) - orientação nocturna - pensamento indutivo - memória de curto prazo- persistência em tarefas complexas - memória verbal - discriminação de cores - rapidez perceptiva - destreza manual- leitura de expressões faciais das emoções.
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Contraponto
Há muitas habilidades que só não foram desenvolvidas no homem ou na mulher por motivos puramente culturais. Não nos esqueçamos que apenas no século passado começámos a tomar consciência de que a separação de papéis entre homens e mulheres era assunto do passado. Dentro de 50 ou 100 anos homens e mulheres reterão diferenças mínimas entre si no que respeita ao cérebro e às habilidades disponíveis. Isso será bom porque nos permitirá aproveitar ao máximo as potencialidades criativas e práticas tipicas de cada sexo.

O SEGREDO e os seus limites...


A propósito de um livro de sucesso!
Muitas pessoas não escondem a sua decepção depois de terem lido O SEGREDO. A maioria das que consultei apontam sobretudo para o facto de O SEGREDO, afinal, não revelar nenhum segredo pois tudo aquilo que aborda, geralmente de forma muito superficial, já muitos outros autores o publicaram ou são do senso comum.

Os apregoados "gurus" que enchem o livro com mensagens de optimismo e conselhos são, muitos deles, conselheiros de empresas ou apenas escritores de auto-ajuda sem formação sólida em Psicologia, Filosofia, Sociologia ou em outras áreas onde existem notáveis pensadores e educadores.

Chamam-me também a atenção para o facto de não haver nenhum psicólogo ou um autêntico filósofo no livro (pelo menos que seja reconhecido como tal) e a própria autora, Rhonda Byrne, é jornalista e não alguém com ciência e experiência na matéria que escreve.
Finalmente, psicólogos meus colegas - que estudaram anos a fio sobre a psique e os comportamentos humanos - nem querem ouvir falar em O SEGREDO pois, dizem, como livro, ele não passa da vulgaridade e da superficialidade.
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O SEGREDO - acrescentam eles - é apenas mais um livro de auto-ajuda que, não fora a boa campanha de marketing que o promoveu, passaria perfeitamente despercebido nas estantes das livrarias.
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O que eu penso sobre o livro
Seja como for, O SEGREDO tornou-se num sucesso editorial. A sua promoção foi bem feita desde o início e como o ser humano vai facilmente atrás do que estiver na moda, milhões de pessoas desataram a comprar o livro. Embora publicado originalmente em 2006, continua a ser o mais vendido em muitos países.
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Confesso que numa primeira fase abri o livro e não me atraiu. Ficou no mesmo sítio onde o vira: na estante de uma loja da FNAC. Depois de ter lido centenas de livros de bons autores que se especializaram no ramo da "auto-ajuda" e da Psicologia, O SEGREDO pareceu-me fraquinho e, por isso, desprovido de interesse. Não valia o dinheiro que iria pagar por ele.Passaram-se os meses.
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O SEGREDO continuava a vender aos milhares. Finalmente, intrigado com tanto sucesso, pedi o livro emprestado a uma pessoa minha amiga. Confesso já que eu leio cerca de 10 livros novos por mês e não são romances. Por isso bastou-me uma hora para ler O SEGREDO; não com muito entusiasmo mas com a maior objectividade possível. E, finalmente, cheguei a algumas conclusões.
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Um livro escrito para ter sucesso
De facto, O SEGREDO, como obra, não acrescentou nada de novo ao que eu já tinha lido noutros livros, francamente muito melhores. Reconheci alguns dos co-autores lá referidos (caso de Fred Alan Wolf, cujo livro Taking the Quantum Leap já li, Neale Donald Walsch, Joe Vitale, Bob Proctor e mais um ou outro).
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O SEGREDO está escrito ao bom estilo dos livros norte-americanos de auto-ajuda e insiste especialmente na tese, já antiga e hoje em dia menos atraente, do "pensamento positivo". Tudo gira em torno do Factor Atracção, o qual percorre todo o livro. Pretende ser um livro de leitura fácil, tocando ao de leve uma ou outra matéria séria (caso dos estados de alma na doença) ou mais materialista (caso de como "ser rico"). Quem for ingénuo, fica satisfeito com frases como esta: "Não é preciso lutar para se livrar de uma doença. O simples processo de abandonar pensamentos negativos permitirá que o seu estado natural de saúde surja do seu interior. E o seu corpo curar-se-á a si próprio" (conclusão da autora Rhonda Byrne, pág.136 na edição portuguesa de Agosto 2007).
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Consta que muitas pessoas, depois de terem lido o livro, deixaram de seguir tratamentos e tentaram usar apenas a mente para curarem as suas doenças. Escusado será dizer que as coisas correram para o pior. Embora Rhonda insista em apregoar que O SEGREDO já fez autênticos milagres na saúde de muita gente. Terá de o provar um dia, provavelmente.
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Haja lucidez!Ora é preciso ter cuidado com este tipo de livros. Manuais como O SEGREDO não curam nada nem tornam ninguém rico, a não ser os seus próprios autores. Eles podem ser (e muitas vezes são-no) úteis porque nos levam a reflectir sobre algumas questões que são mesmo importantes e sobre as quais geralmente prestamos pouca atenção. Por exemplo, considero um bom conselho o que Rhonda diz que "rir faz bem à saúde".
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Mas já todos sabemos isso. Tal como uma boa alimentação, uma vida activa e uma atitude positiva e optimista perante os desafios o fazem.Assim, sejamos prudentes na leitura de O SEGREDO.
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A vida não é fácil, nem tudo se resolve com o "pensamento positivo" nem com a focalização em metas ("quero ser rico", "quero ter sucesso", "quero ter saúde", etc.). O Factor Atracção actua nos dois sentidos: umas vezes as coisas correm bem; outras vezes, o negativo atrai o negativo.
Há que ser lúcido e admitir que há muitos mais factores que intervêm na nossa vida e que não basta ter uma mente vigorosa e orientada para a felicidade e o sucesso para que, de um dia para outro, tudo vai mudar e para muito melhor.
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Com conta e medida
Com tudo isto não quero dizer que O SEGREDO não presta e que deve ser deitado fora. É certo que é um livro que não merece o sucesso que teve porque é muito limitado e muitas vezes nebuloso (ex: "O Universo nasceu de um pensamento") ou inacessível (ex: "A física quântica confirma-o: nós somos a fonte do Universo ") mas tem alguns méritos: gente que lê habitualmente pouco acabou por comprar mais um livro; há ideias-chave interessantes e, aqui e ali, dá-nos pistas para pensarmos mais e melhor sobre questões centrais da nossa vida.